9 de março de 2015

FINAL DE SEMANA FOI MARCADO POR ATIVIDADES DO DIA DA MULHER


A Coordenadoria da Mulher, o Gabinete da Primeira Dama, o Centro Revivi e o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (Comdim) promoveram no sábado, 7, uma programação especial em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, comemorado no dia 8 de março. Das 8h às 12h, as mulheres que passaram pela Via Del Vino contaram com uma série de atividades e serviços: massagem, corte de cabelo, teste de visão, embelezamento, aula de zumba estiveram entre elas. Distribuição de mudas de flores, amostras de perfume e o lançamento do calendário Mulher 2015 também marcaram o evento.

A programação do Dia da Mulher segue até o final de março. Confira: 

08.03 - Sesc Bento Gonçalves - Espetáculo “1, 2, 3, Echá!”, com a Trompim Teatro - Ingressos no local - Às 15h 

09.03 - CAPS AD - Grupo Sala de Espera: Igualdade de direitos - Às 8h
UBS Licorsul - Tarde de Cinema - No Salão Comunitário - Às 15h

11.03 - UBS Progresso II - Dia da beleza - Às 14h30
Farina Park Hotel - Curso de degustação de vinhos e espumantes - Reservas pelo (54) 3458-7033
Gratuito - Às 18h

12.03 - UBS Eucaliptos - Dia da beleza - Às 14h
UBS Barracão - Encontro de mulheres da Linha Cruzeiro - Às 14h30

13.03 - UBS Conceição - Palestras e atividades - Às 14h
UBS Eucaliptos - Saúde da mulher, com a Liga de Combate ao Câncer - Às 14h

14.03 - UBS Maria Goretti - Realização de testes, coleta de cito e requisição mamografia
Das 8h às 12h

16.03 - CAPS AD - Grupo Sala de Espera: igualdade de direitos -Ás 8h
Espaço de Saúde do Idoso - Saúde da Mulher - Às 15h 

17.03 - Distrito de Faria Lemos - Palestras e atividades de saúde - Às 14h
UBS Vila Nova - Dia da Beleza - Salão da Comunidade Vila Nova II

18.03 - Bairro Vila Nova - Palestras e atividades de saúde - Às 15h30

19.03 - CAPS AD - Roda de conversa sobre feminilidade com café da manhã - Às 8h30
UBS Licorsul - Grupo de Diabéticos e Hipertensos - Participação da Coordenadoria da Mulher
Às 10h
Distrito de Tuiuty - Palestras e atividades sobre saúde - Às 14h

21.03 - UBS Central - Palestra Saúde e Direito da Mulher; coleta de cito e requisição para mamografia - 7h30 às 11h30
UBS Conceição - Palestra sobre relacionamento e planejamento familiar, com doutor Manoel Alves Neto - Palestra sobre comportamento com a psicóloga Tatiane Cattani - Das 8h às 11h30

23.03 - CAPS AD - Grupo de Sala de Espera: Igualdade de direitos - Às 8h
UBS Santa Helena - Palestras e atividades de saúde - Às 14h

24.03 - Linha 15 da Graciema - Palestras e atividades de saúde - Às 14h 

25.03 - Salão Nobre da Prefeitura - Divulgação do resultado do concurso Madrinha da Semana da Amamentação 2015 - Às 15h30
UBS Faria Lemos - Grupo com psicóloga: Autoestima da mulher - Às 13h30

26.03 - Distrito de São Pedro - Palestra e atividades de saúde - Às 14h
Praça das Rosas - Concentração e alongamento para caminhada - Às 18h30
Início da Caminhada Luminosa - Saída da Praça das Rosas até a Prefeitura - Os participantes devem levar lanternas ou velas

Praça Via Del Vino - Tributo a Mercedes Sosa, com Tatiéle Bueno - Em caso de chuva, ocorre no Sesc - Às 20h
Fundação Casa das Artes - Oficina de gênero, com a psiquiatra Dra Asuncion Caputti - Inscrições gratuitas pelo (54) 3454-5400 - Das 8h às 11h30 e das 13h30 às 17h30

28.03 - UBS Ouro Verde - Palestra Revivi e atividades de saúde - Às 14h

30.03 - UBS 15 da Graciema - Grupo Saúde da Mulher Idosa - Às 7h30
CAPS AD - Grupo de Sala de Espera: Igualdade de Direitos - Às 8h 

Atividades Extras
CRAS I - Palestra: A mulher e o mercado de trabalho. (54) 3451-4833
CRAS II - Palestra: A mulher e o mercado de trabalho. (54) 3055-7347
CRAS III - Palestra: A mulher e o mercado de trabalho. (54) 3451-4884

Assessoria de Comunicação Social da Prefeitura

Fotos: Cristiane Moro













6 de março de 2015

Identificando a violência doméstica

Nossa sociedade tende a naturalizar práticas violentas que deveriam ser consideradas socialmente inaceitáveis, especialmente quando estas acontecem no ambiente privado do lar. No entanto, tais ações muitas vezes já estão inclusive tipificadas criminalmente e é necessário que sejam banidas do meio social.

Em uma cartilha de apoio a mulheres vítimas de violência doméstica intitulada “Mulher, vire a página”, o Grupo de Enfrentamento à Violência Doméstica do Ministério Público de São Paulo (GEVID) propõe um pequeno teste para que mulheres possam identificar se estão vivendo em uma relação violenta. E fazem um alerta: Se você responder “sim” a pelo menos uma das perguntas abaixo pode se considerar em risco e deve procurar ajuda.

- Ele tenta lhe afastar de amigos, parentes e vizinhos?
- Ele diz que você não precisa trabalhar e/ou estudar?
- Você tem medo de ficar sozinha com seu namorado, marido ou companheiro?
- Sente-se isolada, acuada?
- As brigas e agressões estão ficando mais frequentes e mais graves?
- Durante as brigas ele parece ficar sem controle?
- Ele destrói seus objetos, roupas, fotos, documentos, móveis ou seus instrumentos de trabalho?
- Ele faz questão de lhe contar que tem uma arma ou a exibe para você?
- Ele tem envolvimento com criminosos e lhe ameaça dizendo que alguém fará o “serviço sujo” por ele?
- Maltrata ou mata seus animais de estimação?
- Quando você tenta se separar ele fica telefonando, faz escândalo ‘’na porta’’ da sua casa ou trabalho pedindo mais uma chance?
- Ele ameaça seus parentes e amigos?
- Ele diz que se você não for dele não será de mais ninguém?


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Novidade no Juizado da Violência Doméstica será lançada na próxima semana

Entre os dias 09 e 13 de março, o Tribunal de Justiça do RS estará realizando diversas ações em virtude da Semana Nacional da Justiça pela Paz em Casa. Dentro das atividades, haverá a inauguração da Sala de Espera exclusiva para as vítimas de violência. Localizada no Juizado da Violência Doméstica e Familiar, no Foro Central de Porto Alegre, a sala conta com fraldário e uma brinquedoteca para os filhos das mulheres que aguardam ou participam das audiências.

Também haverá a implantação do Projeto Borboleta, que consiste no acolhimento das vítimas por estagiários do Curso de Psicologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e da Pontifícia Universidade Católica do RS.

A inauguração está marcada a próxima segunda-feira (9/3), às 11h, na sala 500, 5º andar do Foro Central de Porto Alegre, prédio I (Rua Márcio Veras Vidor nº 10).

5 de março de 2015


Justiça gaúcha está engajada na Semana da Justiça pela Paz em Casa, que ocorrerá de 9 a 13/3 e que conta com diversas campanhas programadas pelo Poder Judiciário Gaúcho. Além das ações previstas para o período, haverá atividades preparatórias desde o início do mês de março.

No domingo, dia 8/3, data em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, no Brique da Redenção serão prestados esclarecimentos e orientações sobre o tema da violência doméstica. Os atendimentos ocorrerão das 10h às 14h no Monumento do Expedicionário, com a participação do Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, Governo do Estado do Rio Grande do Sul (Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, Secretaria de Segurança Pública e Secretaria de Educação), OAB/RS, AJURIS, Procuradoria Geral do Estado, ONG Themis ¿ Gênero e Justiça e Secretaria Municipal da Mulher.

Lançamento oficial

No dia 9/3, ocorrerá o lançamento oficial da campanha. A partir das 9h, no gabinete da Presidência do TJ no Palácio da Justiça, serão apresentados à imprensa dados sobre a violência doméstica no Estado: quantidade de processos, evolução no número de ações e de medidas protetivas, sentenças condenatórias e absolutórias, tipos de medidas aplicadas. Ainda, quais são as comarcas com maior número de medidas protetivas, dados sobre feminicídios, entre outras informações.

Outras iniciativas da Semana incluem julgamentos de casos de feminicídio até instalação de Juizados da Violência Doméstica e divulgação da campanha em jogos de futebol.

A campanha foi idealizada pela Ministra Cármen Lúcia, Vice-Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), mobilizando tribunais do país para resolução de casos de violência doméstica e prestação de esclarecimentos sobre a temática.


Confira abaixo a programação prevista para a Capital:

Programação

1º/3 - Pré-lançamento da campanha, com divulgação no jogo válido pelo Campeonato Gaúcho entre Grêmio e Internacional, a ser realizado no estádio Beira-Rio

8/3 - Ação de divulgação da campanha, com distribuição de material, atendimento e orientações, com participação das entidades que apoiam o projeto. Local: Parque Farroupilha (Redenção). Das 10h às 14h
Divulgação no jogo entre Grêmio e Caxias, no estádio Arena

9/3 - Solenidade de lançamento da Semana da Justiça pela Paz em Casa, com apresentação de dados referentes à violência doméstica no RS. Local: Gabinete da Presidência do Tribunal de Justiça no Palácio da Justiça, às 9h (Praça da Matriz, 6º andar)

Início da iluminação da fachada do prédio do Palácio da Justiça, com a cor verde, alusiva à Semana Nacional da Justiça pela Paz em Casa

10/3 - Instalação do Juizado da Violência Doméstica na comarca de São Leopoldo, às 9h30min

11/3 - Instalação do Juizado da Violência Doméstica nas comarcas de Rio Grande e Pelotas, às 14h e 16h, respectivamente
Divulgação no jogo entre Internacional e Aimoré, a ser realizado no estádio Beira-Rio

12/3 - Julgamento pela Tribunal do Júri de tentativa de feminicídio, realizada em 2013. O réu Jair Cardoso Pinto é acusado de golpear a esposa Josiane Rubira da Rosa, com uma facada na axila. A partir da 9h, no Foro Central da Capital - Rua Márcio Veras Vidor, nº 10(Proc. 21300757459)
Palestra na Escola Estadual de Ensino Médio José do Patrocínio

13/3 - Tribunal do Júri julgará o caso de Luana Chiaratto de Lima, jovem morta na Estrada das Furnas, em Porto Alegre, no ano de 2009. A ré Andréia Cristina Bassani de Vargas será julgada pelo crime. A partir da 9h, no Foro Central da Capital - Rua Márcio Veras Vidor, nº 10(Proc. 21101125762)
Palestra na Escola Municipal de Ensino Fundamental Villa Lobos

Encerramento da Semana Nacional da Justiça pela Paz em Casa

Fonte: http://www.tjrs.jus.br/site/imprensa/noticias/?idNoticia=260921

Dia Internacional da Mulher

História do 8 de março

No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.

A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.

Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).

Objetivo da Data 

Ao ser criada esta data, não se pretendia apenas comemorar. Na maioria dos países, realizam-se conferências, debates e reuniões cujo objetivo é discutir o papel da mulher na sociedade atual. O esforço é para tentar diminuir e, quem sabe um dia terminar, com o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todos os avanços, elas ainda sofrem, em muitos locais, com salários baixos, violência masculina, jornada excessiva de trabalho e desvantagens na carreira profissional. Muito foi conquistado, mas muito ainda há para ser modificado nesta história.

Conquistas das Mulheres Brasileiras

Podemos dizer que o dia 24 de fevereiro de 1932 foi um marco na história da mulher brasileira. Nesta data foi instituído o voto feminino. As mulheres conquistavam, depois de muitos anos de reivindicações e discussões, o direito de votar e serem eleitas para cargos no executivo e legislativo.

Marcos das Conquistas das Mulheres na História 

- 1788 - o político e filósofo francês Condorcet reivindica direitos de participação política, emprego e educação para as mulheres.

- 1840 - Lucrécia Mott luta pela igualdade de direitos para mulheres e negros dos Estados Unidos.

- 1859 - surge na Russia, na cidade de São Petersburgo, um movimento de luta pelos direitos das mulheres.

- 1862 - durante as eleições municipais, as mulheres podem votar pela primeira vez na Suécia.

- 1865 - na Alemanha, Louise Otto, cria a Associação Geral das Mulheres Alemãs.

- 1866 - No Reino Unido, o economista John S. Mill escreve exigindo o direito de voto para as mulheres inglesas.

- 1869 - é criada nos Estados Unidos a Associação Nacional para o Sufrágio das Mulheres.

- 1870 - Na França, as mulheres passam a ter acesso aos cursos de Medicina.

- 1874 - criada no Japão a primeira escola normal para moças.

- 1878 - criada na Rússia uma Universidade Feminina.

- 1893 - a Nova Zelândia torna-se o primeiro país do mundo a conceder direito de voto às mulheres (sufrágio feminino). A conquista foi o resultado da luta de Kate Sheppard, líder do movimento pelo direito de voto das mulheres na Nova Zelândia.

- 1901 - o deputado francês René Viviani defende o direito de voto das mulheres.

- 1951 - a OIT (Organização Internacional do Trabalho) estabelece princípios gerais, visando a igualdade de remuneração (salários) entre homens e mulheres (para exercício de mesma função).

4 de março de 2015

Artigo: Mulheres negras, racismo e a (não) garantia dos direitos reprodutivos

(População Negra e Saúde, 01/03/2015) Por Emanuelle F. Goes, Hanna Moore e Juliana Figueiredo

A garantia do direito reprodutivo e a sua efetivação é um horizonte a ser alcançado, pois na atualidade as mulheres ainda sofrem violação desse direito que são garantidos em documentos e tratados internacionais no que ser refere aos direitos das mulheres e aos direitos reprodutivos.

De acordo com Ventura (2010) os Direitos Reprodutivos: “são constituídos por princípios e normas de direitos humanos que garantem o exercício individual, livre e responsável, da sexualidade e da reprodução humana. E, portanto, o direito subjetivo de toda pessoas decidir sobre o numero de filhos e os intervalos entre nascimentos, ter acesso aos meios necessários para o exercício livre de sua autonomia reprodutiva, sem sofrer discriminação, coerção, violência ou restrição de qualquer natureza”.

Já a Saúde Reprodutiva é definida como (UNFPA, 2008): “A saúde reprodutiva é o estado de bem-estar físico, mental e social em todos os aspectos relacionados ao sistema reprodutivo, às suas funções e aos seus processos. Envolve a capacidade de desfrutar de uma vida sexual satisfatória e sem riscos, bem como a liberdade de mulheres e homens, jovens e adultos, decidirem se querem ou não ter filhos, o número de filhos que desejam e em que momento da vida gostariam de tê-los”. 

No entanto, o que ainda se observa em varias partes do mundo, são as mulheres com os seus direitos violados nas mais diversas dimensões desde a falta de informação do direito, do insucesso da aplicação do direito até a violação propriamente dita por conta do sexismo, do racismo e outras tantas formas de opressões correlatas.

Porem, apesar de estamos falando em direito reprodutiva no seu conceito amplo, vamos aqui nos debruçar sobre o aspecto da esterilização das mulheres, especificamente das mulheres negras. A esterilização é um método contraceptivo definitivo que pode ser realizado em mulheres ou homens por meio de uma intervenção cirúrgica. Já a esterilização forçada ou de coerção é quando é quando a mulher é submetida a tal procedimento sem conhecimento prévio ou autorização ou então quando é coagida para a realização do procedimento ao procedimento.

No Brasil a esterilização forçada juntamente com a esterilização em massa tinha por finalidade diminuir o contingente populacional de negros e pobres no País. Como no Brasil o racismo é estruturante e sistêmico, se utilizou também da esterilização, sobre a égide da eugenia, para a eliminação dos degenerados, indesejáveis e inferiores onde há intenção era que por meio da esterilização em massa das mulheres negras diminuiria o percentual de negros/as no País.

Desde a segunda metade do século XX, na década de 60 um novo elemento seria posto à disposição de racistas eugenistas, as novas tecnologias de controle da fecundidade. Através da interferência nos ciclos hormonais das mulheres, esses métodos abriram novas perspectivas para controle compulsório da fecundidade das mulheres negras, indígenas e asiáticas, para além da esterilização cirúrgica já à disposição (STEPAN, 2005) (WERNECK, 2004).

De acordo com o Population Council, em 1990, 69,2% das mulheres brasileiras utilizavam algum método contraceptivo e que deste total 43,9% já estavam esterilizadas. Em 1991, no nordeste do Brasil a esterilização já havia sido feita em 62,9% das mulheres que usavam algum método contraceptivo (ROLAND, 1995). Com isso o movimento de mulheres negras inicia, sob a forma de denúncia, o combate ao genocídio da população negra e à usurpação da liberdade reprodutiva das mulheres.

Essa luta vai resultar na criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI), instaurada pelo Congresso Nacional Brasileiro, no ano de 1991. A CPI da Esterilização constatou que houve prestação inadequada dos serviços oferecidos pelas instituições privadas financiadoras de métodos contraceptivos inclusive os irreversíveis, sendo expandida principalmente, nas regiões mais pobres do país. Mas em 1996, por meio da recomendação da CPI, foi aprovada a lei especifica (Lei 9.263/96) que regulamenta o acesso à esterilização feminina (VENTURA, 2010).

A partir da década de 1990 o movimento de mulheres negras e o movimento negro iniciaram uma agenda incisiva na saúde pública, acompanhando o processo da saúde reprodutiva das mulheres negras. Pois de acordo com o Comitê de fiscalização da Convenção Racial, da ONU, são as mulheres negras mais vulneráveis à esterilização força da e abusos sexuais, inclusive por conta da permanecia no mercado de trabalho principalmente no trabalho doméstico.

A intersecção de raça e gênero conforma as mulheres negras uma situação de opressão e vulnerabilidades, apresentando experiência e trajetória de vida que diferencia das mulheres brancas, por exemplo, pois, o racismo é estruturante no que se refere às condições de vida da população negra, sendo a mulher negra um sujeito que sofre o racismo com o agravamento do sexismo e outras opressões correlatas.

A partir desta reflexão vamos apresentar dois casos denunciados por organizações pelos direitos das mulheres nas diversas mídias, sobretudo nas redes sociais, em que mulheres negras em diferentes contextos vivenciam violações dos direitos reprodutivos por meio da esterilização forçada ou de coação na Califórnia (Estados Unidos da America) e em Nairóbi (Quênia).

Mulheres negras presidiárias esterilizadas na Califórnia

A complexidade das violações dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres negras torna-se maior no contexto das mulheres negras em situação de prisão. As violações ligadas às prisões femininas permanecem obscurecidas pela a invisibilidade social da prisão (DAVIS, 2001). E no contexto de Califórnia o estado que tem mais prisões dos Estados Unidos, e que tem uma historia longa em relação esterilização carrega uma complexidade profunda. Essa complexidade consiste de atos como o complexo industrial da prisão, o movimento eugenista, leis do estado da Califórnia e embutido em tudo isso, racismo como fator principal. Alem de ser o líder na construção de prisões no país, Califórnia também foi o líder do movimento eugenista do País, tanto que os líderes do movimento eugenista da Califórnia foi consultado pela Alemanha nazista na década de 1930 para desenvolver o processo eugenista na Alemanha. (JOHNSON, 2013a)

O complexo industrial das prisões dos Estados Unidos se conecta a privatização das prisões, com empresas e políticas. ‘’A proliferação de prisões e prisioneiros está mais claramente ligada a estruturas e ideologias políticas e econômicas maiores que a conduta criminal individual e os esforços para conter a criminalidade’’. Em 1995 o orçamento para as prisões era maior do que educação no estado do Califórnia (DAVIS, 2001). Com o crescimento das prisões, a guerra contra drogas também aumentou, e as comunidades negras e latinas eram as mais impactadas pela essa mudança de paradigma.

Para entender porque o sistema prisional está ligado inerentemente ao racismo, nos Estados Unidos os negros chegam a 14% da população americana e são mais de 80% da população prisional. E o Racismo no sistema prisional não pode ser desconectado das questões de gênero, as mulheres negras estão mais afetadas dentro desse sistema e são mais propensas de estarem no sistema prisional dos EUA, elas compõem a maior parte da população de prisões das mulheres. Estatisticamente uma mulher negra nos Estado Unidos tem oito vezes mais chance de estar na prisão do que uma mulher branca (DAVIS, 2001). O racismo funciona como uma barreira estrutural pesa mais na produção da subordinação e na carga das opressões (CRENSHAW, 2002). “Mulheres negras formam o maior percentual em população prisional (48%), e 35% nos centros de detenção federais, mesmo que sejam apenas aproximadamente 13% da população em geral (DAVIS, 2001)’’.

A história de esterilização na Califórnia vem de muitos anos, no estado tinha leis de esterilização obrigatória, pois o liderado pelo movimento eugenista com a ideologia da supremacia branca e a inferioridade das outras raças. A lei foi criada no inicio do século XX, grupos minoritários, os pobres, os deficientes, os doentes mentais e os criminosos foram apontados como inferiores e esterilizados para evitar a sua propagação de seus genes (JOHNSON, 2013a).

Esse movimento e suas ações eram tão fortes que entre 1909 e 1964 aproximadamente 20.000 homens e mulheres foram esterilizados no Estado da Califórnia, esse movimento ganhou atenção internacional e em 1903, a Alemanha Nazista consultou para adotar as práticas de esterilização (JOHNSON, 2013b). “Posteriormente, essa lei foi ampliada concedendo aos médicos dos asilos e prisões a autoridade de “Assexualizar” os doentes ou presos, pois tal medida iria melhorar sua condição moral, físico e mental” (STERN, 2005). Por causa da base nas ciências, a política de esterilização permaneceu no Estado da Califórnia durante muitos anos.

O estado da Califórnia não considerava esterilização como uma punição, mas com uma estratégia de saúde publica (STERN, 2005), como o movimento eugenista propunha a esterilização como uma ferramenta para fortalecer o estado.

É nesse contexto do complexo industrial da prisão e as raízes da esterilização baseada no movimento eugenista, onde identificamos as violações contra mulheres negras em situação de prisão na Califórnia. As violações, ou seja, a violência contra mulheres negras na prisão se manifesta em varias formas: “negligência médica, o abuso sexual, a falta do controle reprodutivo, a perda dos direitos dos pais, a negação dos direitos legais, e os efeitos devastadores de isolamento” (DAVIS, 2001). A invisibilidade de estar na prisão além da invisibilidade de ser negra e mulher, abrindo espaço para as violações.

Ser mulher negra no EUA já tem seus diretos então limitados, no sentido que legalmente têm direitos, mas na realidade é que esses direitos não estão sendo respeitados ou efetivados. Agora quando uma mulher negra entra no sistema prisional, como prisioneira, oficialmente e legalmente seus direitos que tinha antes ‘teoricamente’ serão retirados. Atualmente a esterilização é ilegal pela a lei, o Estado proibiu a prática em 1979 (JOHNSON, 2013b), mas as violações ainda acontecem. Entre 2006 e 2010 quase 150 mulheres era esterilizada nas prisões feminina da Califórnia sem a autorização do estado (JOHNSON, 2013a).

O contexto dessas esterilizações ilegais nas prisões é um ato de coerção. Num relatório feito pelo o centro de jornalismo investigativo na Califórnia em 2012, que fez várias entrevistas com mulheres que foram esterilizadas, esse fato foi relevado. Numa entrevista com uma mulher negra detenta que foi coagida para fazer esterilização disse que ela estava grávida e na hora para de dar á luz, uma momento emocionante e vulnerável, pois, era quando o medico da prisão sugeriu a esterilização para ela (JOHNSON, 2013b).

Numa entrevista com o medico numa das prisões feminina da Califórnia, ele justificou os esterilizações dizendo que, “as esterilizações está bem mas barato do que quanto o Estado iria gastar no “welfare” (serviços sociais), para as crianças não desejadas” (JOHNSON, 2013a). Isso faz parte do mito Americano que reproduz o preconceito racial que mulheres negras só têm crianças para receber dinheiro do estado (HANCOCK, 2004).

Esterilizações coagidas ou forçadas ilegalmente das mulheres negras nas prisões feminina da Califórnia continuam atrás do véu da burocracia, uma historia de eugenia e práticas do racismo institucional. As violações estão sendo reveladas por organizações aliadas as mulheres na situação de prisão, no entanto o poder do sistema prisional requer mais pressão para garantir as mulheres negras o direito reprodutivo, direito humano e o direito a vida da população negra. Pois, “Qualquer imposição sobre os direitos reprodutivos é uma injustiça contra o bem-estar dos agregados familiares -. Dos direitos das mulheres, crianças e netos, ou a promessa do futuro” (DAVIS, 2001).

Mulheres Negras com HIV são esterilizadas em Nairobi

Antes de falar sobre o tema, cabe caracterizar o local onde são praticados os atos que infringem os direitos humanos, no que diz respeito o direito à vida, à liberdade, à liberdade de opinião e de expressão, o direito ao trabalho e à educação etc. Todos merecem estes direitos, sem distinção de raça/cor/etnia, gênero, orientação sexual, cultura, religião, origem social, de território ou lugar.

Toda pessoa com HIV e AIDS tem direito à continuação de sua vida civil, profissional, sexual e afetiva. Nenhuma ação poderá restringir seus direitos completos à cidadania. Até os meados de 1993, cerca de quatro quintos de todas as pessoas já infetadas pelo HIV viviam em países em desenvolvimento, onde a infecção estava sendo transmitida principalmente na relação heterossexual, e a quantidade de novos casos estava aumentando mais rapidamente entre as mulheres.

No Quênia, mulheres com HIV e AIDS são vítimas do Estado e de alguns profissionais de saúde. Práticas de esterilização são realizadas sem o consentimento livre, completo e informado da mulher, simplesmente por serem portadoras do vírus HIV e/ou por possuírem a doença (AIDS). Tal procedimento foi reconhecido por organismos internacionais, regionais e nacionais de direitos humanos como uma violação dos direitos humanos, e como uma forma de tortura e outros tratamentos cruéis, desumanos e degradantes, bem como uma forma de violência contra as mulheres.

De acordo com a Pesquisa Indicador de AIDS no Quênia 2007, uma em cada dez grávidas no país tem HIV. Crianças com menos de 15 anos representam 16% das pessoas contaminadas; a grande maioria foi infectada pela mãe. Entretanto, o risco de contaminação da mãe para o bebê pode ser reduzido a zero através do uso de antirretrovirais durante a gravidez e o parto, além da adoção da cesariana (A PUBLICA).

No relatório realizado pela ONG Iniciativa Africana de Mídia e Gênero, estão detalhados 40 casos de mulheres do Quênia que foram esterilizadas de maneira forçada porque eram soropositivas.

Existem relatos de mulheres que demonstram a perversidade cometida quando estas foram parir ou quando precisaram realizar algum procedimento cirúrgico no aparelho reprodutor feminino, por exemplo.

Quando a esterilização foi realizada no momento do parto, há um caso de uma mulher que descobriu no pré-natal que tinha HIV, por esse motivo os médicos lhe disseram que a maneira mais segura de ter o bebê sem transmitir o vírus seria realizando uma cirurgia cesárea. Durante a cesariana, sem que a mulher soubesse ou desse seu consentimento, foi esterilizada.

Além do caso supracitado, que a mulher não tinha conhecimento sobre o que seria realizado, existem mulheres que mesmo se recusando em realizar o procedimento, negando-se inclusive a assinar, a esterilização foi realizada. Se não bastasse a esterilização sem consentimento, as mulheres também são vítimas de outros tipos de violência, a exemplo a psicológica, quando são referidos à elas por profissionais de saúde que é um crime mulheres com HIV ter filhos. Além da justificativa de terem sido esterilizadas por possuírem HIV e/ou AIDS, outras ridículas lhes são apresentadas, como não ter marido ou não possuir fonte de renda para sobreviver e educar os filhos.

A fala que segue, relata o caso de uma mulher que foi esterilizada em um outro momento, que não o parto: “Me disseram que eu precisava de uma cirurgia no meu útero para me livrar de câncer. Foi durante a recuperação pós-cirúrgica quando eu soube que eu tinha sido esterilizada “.

Em resposta às violações constantes dos direitos humanos contra as mulheres que vivem com o HIV, a rede Comunidade Internacional de Mulheres Vivendo com HIV (ICW global), criada por e para as mulheres que vivem com o HIV, liderou uma campanha global contra as violações sistemáticas dos direitos humanos das mulheres soropositivas, afim de documentar e analisar os casos relatados, apoiar os sobreviventes e a mobilização das comunidades, as organizações da sociedade civil e decisões políticos para falar contra essas violações dos direitos humanos.

Na Namíbia, a ICW Global, juntamente com a Namíbia Rede de Saúde das Mulheres, apoiaram dezoito sobreviventes de esterilização forçada ou coagida a abrirem processos contra o Governo. Estas duas organizações denunciaram a violação do direito de estar livre de tratamento cruel, desumano e degradante, o direito à igualdade e o direito de ser livre de discriminação, entre outros. Até o momento três dos casos foram ouvidas no tribunal, com a decisão reconhecendo que as mulheres não consentiram a esterilização e ordenando compensação (THE GLOBAL COALITION ON WOMEN AND AIDS).

Esterilizações forçadas ou coagidas são fundadas em equívocos, inclusive sobre a transmissão do HIV, e que as mulheres infectadas não são capazes de cuidar e educar seus filhos. Esses equívocos são motivados pelo estigma e pela discriminação a cerca da infecção pelo HIV e da doença. Enquanto isso, as mulheres soropositivas continuam a ter os seus direitos reprodutivos violados.

Considerações

Os casos apresentados demonstram a dificuldade do exercício dos direitos reprodutivos por conta de uma sociedade que é estruturada pelo racismo e o pelo sexismo.

Para que as mulheres negras efetivarem o livre exercício do direito reprodutivo é necessário que outros campos do direito também sejam garantidos como a igualdade de gênero e de raça assim como assim como ao racismo, o sexismo e todas as formas de opressão compreendendo as mulheres negras nos diversos contextos culturais e locais.

De acordo com o documento sobre População e Desenvolvimento, Cairo (1994) a saúde reprodutiva é um direito humano e um elemento fundamental da igualdade de gênero.

Se as lutas por garantias de direitos não contemplar as mulheres e as suas interseccionalidades estarão distante de efetivar direitos e de reivindicar agendas legitimas, pois a dimensão das trajetórias e experiências vividas deve ser contemplada na agenda tanto no campo da política e quanto do direito.

Referencias
A PUBLICA. Agência de Reportagem e Jornalismo Investigativo. Quênia: mulheres soropositivas são esterilizadas sem saber. 17 de setembro de 2012. Disponível em: http://apublica.org/2012/09/quenia-mulheres-soropositivas-sao-esterilizadas-sem-saber/. Acesso em: 08 de outubro de 2014.
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* Trabalho apresentado nos Anais do 18º Encontro da REDOR

ONU Mulheres cobra erradicação de desigualdade de gênero até 2030

(EFE, 28/02/2015) A reunião de mulheres líderes organizada pela ONU Mulheres em Santiago do Chile terminou neste sábado com um chamado à ação para redobrar os esforços e renovar o compromisso político para erradicar a desigualdade de gênero até 2030.

“É preciso acelerar progressos tangíveis para 2020 e também conseguir a paridade total de gênero, o empoderamento total da mulher e terminar com a desigualdade em 2030″, disse a presidente do Chile, Michelle Bachelet, na cerimônia de encerramento do encontro.

A presidente, anfitriã da reunião, esteve acompanhada do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, e da secretária executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka.

Os dois dias de reuniões e painéis sobre mulheres no poder produziram uma declaração final com um chamado à ação assinado pelas dezenas de líderes dos setores político, social e econômico de mais de 60 países que participaram do encontro.

As recomendações serão analisadas na próxima sessão da Comissão da Condição Jurídica e Social da Mulher, que será realizada em Nova York em março, que revisará os avanços e os desafios dos compromissos adquiridos na IV Conferência Mundial sobre a Mulher em Pequim, em 1995.

“Agora é o momento de tomar uma posição, fechar as brechas, derrubar os obstáculos, investir em mulheres e meninas, passar das palavras à ação. Não ano que vem nem amanhã, atualmente”, destacou Ban Ki-moon em seu discurso.

“A razão é simples: não podemos alcançar todo potencial mundial excluindo 50% da população do mundo”, ressaltou o secretário- geral da ONU, que acrescentou que este é um ano “crucial” porque se definirá a nova agenda de desenvolvimento, chamada Post 2015.

O chamado à ação assinado pelas empregadas domésticas na reunião de ONU Mulheres contempla a exigência de um renovado compromisso político para garantir a participação e a liderança das mulheres em todos os âmbitos.

Segundo o documento, a revisão dos 20 anos da implementação da Plataforma de Ação de Pequim, assinada por 189 governos, evidenciou que o progresso foi lento e irregular.

“No ritmo de progresso atual, serão necessários 81 anos para conseguir a equidade de gênero no ambiente de trabalho, mais de 75 anos para alcançar remuneração igual entre homens e mulheres pelo mesmo trabalho realizado, e mais de 30 anos para conseguir o equilíbrio entre mulheres e homens nos postos de decisão”, assinalou o texto.

“Estas mudanças vão enfrentar, sem dúvida, a oposição dos que ostentam uma situação de privilégio. Devemos ser capazes de somar mais e mais organizações e a governos a esta convicção”, assinalou Bachelet.

O documento também propõe acabar com a lacuna no financiamento para a igualdade de gênero, o que implica aumentar de forma significativa os investimentos para a equidade e aplicar um enfoque de gênero nos orçamentos dos países.

“Estamos pedindo para acelerar o ritmo das mudanças para alcançar a plena equidade não em sete ou oito décadas, mas muitíssimo antes”, ressaltou a presidente chilena, que lembrou que nenhum país do mundo conseguiu até agora a igualdade de gênero em todos os âmbitos da vida pública e privada.

Bachelet, que foi a primeira secretária executiva de ONU Mulheres, afirmou que nenhuma agenda de desenvolvimento para os próximos anos pode ter êxito se não tiver “em seu coração o objetivo primordial de conseguir a equidade entre meninos e meninas e entre homens e mulheres”.

Feminicídio: desafios e recomendações para enfrentar a mais extrema violência contra as mulheres

O Brasil está entre os países com maior índice de homicídios de mulheres no mundo – quadro que reforça a urgência de respostas eficazes do Estado e da sociedade para prevenir e punir a violência de gênero. Na América Latina, instituições internacionais traçam recomendações para enfrentar o alto índice de assassinatos de mulheres, enquanto 11 países latino-americanos já criaram leis específicas para coibir o feminicídio.

Feminicídio é o assassinato de uma mulher pela condição de ser mulher. Suas motivações mais comuns são o ódio, o desprezo ou o sentimento de perda da propriedade sobre as mulheres, em uma sociedade marcada pela desigualdade de gênero, como a brasileira

Com uma taxa de 4,4 assassinatos em 100 mil mulheres, o Brasil está entre os países com maior índice de homicídios femininos: ocupa a sétima posição em um ranking de 84 nações, segundo dados do Mapa da Violência 2012 (Cebela/Flacso). “Mais de 43 mil mulheres foram assassinadas no País na última década, uma realidade vergonhosa que torna a tipificação penal do feminicídio uma demanda explícita e urgente, cuja real aplicação tem no Judiciário elemento indispensável”, comenta Flávio Crocce Caetano, secretário de Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça.

No País, o cenário que mais preocupa representantes do Estado engajados em impedir a mais extrema das violências de gênero é o do feminicídio íntimo, aquele cometido em contexto de violência doméstica. Além desse, outras duas circunstâncias que caracterizam este crime são a prática de violência sexual ou a tortura e mutilação da vítima antes ou depois do assassinato – segundo Projeto de Lei do Senado que pode criar uma tipificação penal específica para esse crime (PLS 292/2013).

De acordo com o Mapa da Violência, altas taxas de feminicídio costumam ser acompanhadas de elevados níveis de tolerância à violência contra as mulheres e, em alguns casos, são exatamente o resultado dessa negligência. Os mecanismos pelos quais essa tolerância é exercida podem ser variados, mas um prepondera: a culpabilização da vítima como justificativa dessa forma extrema de violência.

“Basicamente, o mecanismo de autojustificação de várias instituições, principalmente aquelas que deveriam zelar pela segurança e pela proteção da mulher, coloca a vítima como culpada. A mulher é responsabilizada pela violência que sofre. Este tipo de postura institucional de tolerância à violência e impunidade não só permite como incentiva o feminicídio”, avalia o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, responsável pelo Mapa da Violência.

Esse quadro coloca desafios para o poder público, que busca formas de avançar na efetivação da Lei Maria da Penha e ainda debate novos caminhos para complementar a legislação e coibir de maneira efetiva o assassinato de mulheres.

A preocupação no Brasil está em sintonia com a crescente dedicação de organizações internacionais a este tema: órgãos da ONU discutem a criação de protocolos para investigar e enfrentar o problema, enquanto 11 países latino-americanos já criaram leis específicas para coibir o feminicídio.


Dados revelam a gravidade do feminicídio íntimo

Por falta de um tipo penal específico ou de protocolos que obriguem a designação do assassinato de uma mulher em razão do gênero em grande parte da rede de Saúde ou Segurança Pública, o feminicídio ainda conta com poucas estatísticas que apontem sua real dimensão no País.

O Mapa da Violência 2012 é uma referência sobre o tema e revelou que, entre 1980 e 2010, mais de 92 mil mulheres foram assassinadas, sendo 43,7 mil só na última década – ou seja, em média, a cada 2 horas uma brasileira foi morta por condições violentas.

Além de grave, o número aumentou. Comparando-se o número de mortes no primeiro ano (1980) e no último (2010) do período estudado, os homicídios passaram de 1.353 para 4.465 – um aumento de assustadores 230%.

O Mapa da Violência mostrou ainda que é no ambiente doméstico que mais ocorrem as agressões contra as mulheres. No estudo, em 71,8% dos atendimentos registrados a violência aconteceu na residência da vítima e 41% das mortes femininas ocorreram dentro de casa. Em 42,5% dos casos, o agressor é o parceiro ou ex-parceiro da mulher. Na faixa entre os 20 e os 49 anos, esse percentual salta para 65%.

“São grupos familiares que, repetidamente, à revelia, violentam as mulheres e seguem como se nada tivesse acontecido”, frisa Jacobo. “Esse é um problema que tem que ser enfrentado, pois se trata de um grupo vulnerável, que legalmente deve ter proteção prioritária e está sendo oprimido”, complementa.

Uma certeza entre especialistas é que esses dados mostram que a violência doméstica é a maior motivadora dos feminicídios no Brasil. Para a juíza Adriana Ramos de Mello, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), “este é um problema muito sério. O Brasil está em 7º lugar no Mapa da Violência e grande parte desses assassinatos ocorre no âmbito doméstico e é fruto de uma sociedade patriarcal marcada pela desigualdade de poder nas relações”.

Diferentemente de outros países da América Latina nos quais o homicídio associado à violência sexual é o mais preocupante, no Brasil o homicídio por alguém que manteve ou mantém uma relação de afeto com a vítima é o mais alarmante. Em geral, o feminicídio é precedido por outras formas de violência e, portanto, poderia ser evitado.

“O feminicídio íntimo é um contínuo de violência. Antes de ser assassinada a mulher já passou por todo o ciclo de violência, na maior parte das vezes, e já vinha sofrendo muito tempo antes. A maioria dos crimes ocorre quando a mulher quer deixar o relacionamento e o homem não aceita a sua não subserviência”, explica a magistrada do Rio de Janeiro.

População avalia que risco de feminicídio é real

Recente pesquisa de opinião revela que a percepção da população brasileira é de que a vida da mulher de fato está em grande risco quando ela sofre violência doméstica. Segundo o levantamento Percepção da Sociedade sobre Violência e Assassinatos de Mulheres (Data Popular/Instituto Patrícia Galvão), lançada em agosto, 85% dos entrevistados acham que as mulheres que denunciam seus parceiros ou ex quando agredidas correm mais risco de serem assassinadas.

O silêncio, porém, também não é apontado como um caminho seguro: para 92%, quando as agressões contra a esposa/companheira ocorrem com frequência, podem terminar em assassinato. Ou seja, o risco de morte por violência doméstica é iminente e sabido.

Para a socióloga Fátima Pacheco Jordão, especialista em pesquisas de opinião, estudos mostram a seriedade do problema. “De um lado as estatísticas do Brasil em relação ao resto da América Latina são terríveis, os números em si do Mapa da Violência já mostram a gravidade. O segundo ponto é que a pesquisa sobre assassinatos revela a percepção de naturalidade da população, mostrando que, para a maioria, o fim violento por homicídio é passível de acontecer correntemente”, explica.

Segundo a especialista, o contexto de violência doméstica agrava ainda mais o quadro. “Se pensarmos a questão do valor da residência, do abrigo privado, da condição familiar como o espaço mais perigoso para as mulheres, o problema ultrapassa qualquer limite de aceitação. Ou seja, vai além de um grau de civilização, está no plano da barbárie, no qual o espaço privado esconde execuções e torturas”, destaca.

Equipamentos para cumprir a lei

Entre as propostas para evitar essas ‘mortes anunciadas’, algumas são mais recorrentes na avaliação dos especialistas: o engajamento das instituições públicas para efetivar plenamente a Lei Maria da Penha é um caminho, tanto no sentido de proteção à vida das mulheres, no curto prazo, quanto para coibir o problema, por meio das ações de prevenção à violência de gênero no longo prazo.

“São necessárias também políticas de prevenção e reeducação, porque a Lei sozinha não extingue o crime. Nesse sentido, a responsabilidade do Estado, e também da sociedade, é trabalhar na implementação dos serviços que a Lei Maria da Penha propõe, como políticas de educação, uma rede intersetorial de atendimento em Saúde, Assistência Social, Segurança Pública e Justiça. Precisamos que sejam implementadas em todo o País as Defensorias das Mulheres, as Varas de Enfrentamento à Violência Intrafamiliar e contra as Mulheres, casas abrigo e serviços de atenção psicossocial”, afirma a médica Ana Flávia d’Oliveira, pesquisadora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Para a juíza do TJRJ, Adriana Mello, é preciso discutir mais a questão da violência contra as mulheres no campo da educação e também com profissionais que atuam na atenção às vítimas, especialmente nos equipamentos de Saúde e Segurança Pública e no Sistema de Justiça.

Além dos desafios para a efetivação da Lei Maria da Penha, outras ações são discutidas para complementar o enfrentamento ao feminicídio. Entre elas, está a proposta de criação de um tipo penal específico para este crime, que auxilie a produzir dados para embasar políticas públicas. Também a adoção de protocolos para investigação do feminicídio, que por um lado auxiliariam na produção desses dados, e por outro garantiriam maior eficácia na coleta de provas e perícia para dar materialidade a este tipo de crime.

“Como boa parte desses homicídios é íntimo, a cena do crime pode ser desfeita, as provas e testemunhas podem ser mais difíceis também. Isso pode prejudicar a investigação e, consequentemente, o processo penal. Então, a instauração de protocolos de investigação para a Polícia, Ministério Público e Magistratura é recomendada”, explica a juíza.

Recomendações de organismos internacionais

A preocupação com os homicídios de mulheres no Brasil está em sintonia com a crescente dedicação de organizações internacionais ao tema. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos e a ONU Mulheres, por exemplo, estão finalizando a elaboração do protocolo latino-americano de investigação de mortes de mulheres por razões de gênero. Paralelamente e de modo complementar a esta iniciativa, foi elaborado um Guia de Recomendações para a Investigação Eficaz do Feminicídio, em cooperação com especialistas latino-americanos que analisaram os erros mais frequentes cometidos nas investigações e processos nos casos de feminicídio e traçaram recomendações para superar tais problemas. O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas também iniciou um processo interno para criação de uma declaração ou protocolo universal sobre o feminicídio. A ideia é apresentar uma petição para discutir o tema na Assembleia Geral da ONU no próximo ano.

Para a ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência, Eleonora Menicucci, as iniciativas respondem ao desafio de se enfrentar o crime do feminicídio a partir de um dos consensos que cerca esse tema: o de que as investigações do crime têm caráter especializado e que, muitas vezes, por falta de uma real perspectiva de gênero, não se coletam as evidências necessárias, fomentando assim a impunidade crônica que estimula a sua recorrência.

Tanto o Guia como o protocolo deverão ser usados em processos de capacitação nos países latino-americanos, para que as recomendações indicadas sejam de fato colocadas em prática, segundo informou um dos autores do Guia, o advogado espanhol, doutor em Direito e mestre em Direitos Humanos, Emilio Gines Santidrián, em passagem pelo Brasil.

Segundo o jurista, a publicação é um avanço na América Latina e se soma às legislações e sentenças que visam a penalização de feminicidas em diversos países da região. El Salvador, Guatemala, Colômbia, Nicarágua e Bolívia já criaram leis especiais de prevenção, atenção e sanção da violência contra as mulheres que abordam o feminicídio. Já Costa Rica, Chile, Peru, Argentina, Honduras e México reformaram as leis penais nacionais existentes nesse sentido. (Confira aqui o quadro sobre as legislações da América Latina)

“Já tivemos decisões importantes nas cortes da Guatemala, El Salvador e Peru, que ajudam a dar visibilidade para esse tipo de crime. Essas sentenças favoráveis indicam que está havendo uma mudança de consciência do Judiciário, que não está mais encarando esses casos com preconceito”, aponta Santidrián, também membro do Subcomitê para Prevenção da Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanas e Degradantes das Nações Unidas.

Reconhecimento global

A sensibilização em torno do tema também marcou a 57ª Sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher (CSW) da ONU, realizada em Nova York, em março deste ano, com a presença de representantes dos 45 países membros. No encontro, houve o reconhecimento internacional do crime de assassinato de mulheres relacionado à sua condição de gênero. A 57ª CSW recomendou ainda o fortalecimento de legislações para punir o grave fenômeno.

A mesma recomendação é feita pelo Comitê sobre a Eliminação da Discriminação contra a Mulher da ONU (CEDAW). “O Comitê entende que é importante essa explicitação e se manifesta aos países com a recomendação de que realizem tipificações como essa, que são positivas por dar visibilidade ao feminicídio”, afirma a advogada e presidente do CEDAW, a brasileira Silvia Pimentel, que também integra o Comitê Latino-Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher (Cladem).

Sensibilização é o primeiro passo

Para a especialista da ONU, a maior sensibilização dos órgãos internacionais – manifesta inclusive por recomendações do CEDAW chamando atenção para o feminicídio nas análises feitas a partir de relatórios periódicos enviados pelos países sobre a situação da violência contra as mulheres – é um exemplo dos avanços obtidos no cenário internacional. “Até pouco tempo, o feminicídio não era verbalizado, destacado ou criminalizado. Simplesmente, era uma questão que não aparecia nesses trabalhos”, destaca.

A mesma visão é compartilhada pela representante da ONU Mulheres no Brasil, Nadine Gasman. “Cada vez mais os países estão ratificando o feminicídio como delito específico. Isso foi feito de diferentes maneiras, mas o que é importante para nós é que o Sistema de Justiça está abordando o tema de uma forma específica, o que há alguns anos não se fazia. Podemos pensar que, com melhores sistemas de informação e com mais tempo – porque são legislações muito recentes, a tendência será diminuir a violência contra as mulheres”, acredita a representante da ONU Mulheres.


Ipea divulga pesquisa sobre a efetividade da Lei Maria da Penha


Estudo estimou o impacto da lei nas taxas de homicídios de mulheres

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou nesta quarta-feira ( 04/03), em Brasília, um estudo sobre a efetividade da Lei Maria da Penha (LMP). Os resultados indicam que a Lei fez diminuir em cerca de 10% a taxa de homicídio contra as mulheres dentro das residências. O evento contou com a participação da secretária de Enfrentamento à Violência da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM/PR), Aparecida Gonçalves.

Os autores ressaltam, no entanto, que a efetividade não se deu de maneira uniforme no país, por causa dos “diferentes graus de institucionalização dos serviços protetivos às vítimas de violência doméstica”. Para mais informações sobre a distribuição de serviços protetivos à mulher no território nacional, consulte o segundo estudo divulgado nesta quarta-feira, a Nota Técnica - A institucionalização das políticas públicas de enfrentamento à violência contra as mulheres no Brasil (versão preliminar).

Apesar de a Lei Maria Penha não ter como foco o homicídio de mulheres, a pesquisa partiu do pressuposto de que a violência doméstica ocorre em ciclos, “onde muitas vezes há um acirramento no grau de agressividade envolvida, que, eventualmente, redunda (muitas vezes de forma inesperada) na morte do cônjuge”, por isso “seria razoável imaginar que a lei, ao fazer cessar ciclos de agressões intrafamiliares, gere também um efeito de segunda ordem para fazer diminuir os homicídios ocasionados por questões domésticas e de gênero”, defendem os autores.

Dados - Os dados utilizados para a análise dizem respeito às agressões letais no Brasil e foram obtidos por meio do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. Os registros do SIM são contabilizados com base nas informações das declarações de óbitos fornecidas pelos Institutos Médicos Legais (IMLs). Além da “causa básica do óbito”, foram utilizadas as variáveis referentes ao sexo do indivíduo e à data do registro, bem como o município de ocorrência.

A evolução da taxa de homicídios em residência para o Brasil no período entre 2000 e 2011 é apresentada no gráfico 1. A análise dos homicídios dentro das residências é importante, pois, segundo as evidências internacionais e nacionais, em mais de 90% dos casos, os responsáveis são conhecidos familiares da vítima, configurando situações tendem a se aproximar mais dos eventos associados às questões de gênero.

 Taxa de homicídio ocorridos em residência – Brasil (2000-2011)
(Por 100 mil habitantes)
Fonte: SIM

Para avaliar se um experimento ou uma lei é efetiva ou não, não basta ver se a variável de interesse (no caso, homicídios nas residências) aumentou ou diminuiu. É preciso construir um cenário contrafactual. Ou seja, se não houvesse a lei, as homicídios teriam crescido mais do que o que foi observado? A resposta é positiva, então, a lei foi efetiva.

De acordo com a pesquisa, o aumento no número de homicídios em residência pode ter sido influenciado por outros fatores socioeconômicos. O modelo de diferenças em diferenças mede o supracitado cenário contrafactual ao comparar a evolução da taxa de homicídios entre homens e mulheres e, além disso, levar em conta especificidades locais (no nível das microrregiões), que podem afetar diferentemente a violência contra homens e mulheres, e tendências temporais, que podem ser resultado de mudanças estruturais e/ou políticas passíveis de afetar as trajetórias de homicídios. Ademais, o modelo considera a evolução da prevalência de armas de fogo e de ingestão de bebidas alcoólicas, que poderia interferir na regularidade dos homicídios de homens e mulheres.



Fonte: Ipea (http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/TDs/td_2048.pdf)


Comunicação Social
Secretaria de Políticas para as Mulheres – SPM
Presidência da República – PR

Projeto de Lei do feminicídio é aprovado pela Câmara dos Deputados

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou, no início da noite desta terça-feira (03/03), o Projeto de Lei 8305/14, do Senado Federal, que inclui o feminicídio como homicídio qualificado, classificando-o ainda como hediondo. A matéria irá à sanção presidencial.

O projeto modifica o Código Penal para incluir entre os tipos de homicídio qualificado o feminicídio, definido como o assassinato de mulher por razões de gênero. 

Presente na Câmara dos Deputados, a ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM/PR), Eleonora Menicucci, comemorou a aprovação da lei. “O feminicídio difere o crime violento contra as mulheres dos crimes gerais. É um projeto que é para o bem do Brasil, porque, sendo favorável às mulheres e contra a violência que abate qualquer mulher, nós estamos dando para as mulheres no 8 de março um instrumento de proteção e garantia”, declarou. 

Segundo a proposta, há razões de gênero quando o crime envolve violência doméstica e familiar, ou menosprezo e discriminação contra a condição de mulher. A pena prevista para homicídio qualificado é de reclusão de 12 a 30 anos. 

O projeto prevê ainda o aumento da pena em 1/3 se o crime ocorrer: durante a gestação ou nos três meses posteriores ao parto; contra menor de 14 anos, maior de 60 ou pessoa com deficiência; e na presença de descendente ou ascendente da vítima.



Comunicação Social
Secretaria de Políticas para as Mulheres – SPM
Presidência da República – PR

3 de março de 2015

ATIVIDADES DO DIA INTERNACIONAL DA MULHER SEGUEM ATÉ O FINAL DE MARÇO


Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, a Coordenadoria da Mulher, o Gabinete da Primeira Dama, o Centro Revivi e o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (COMDIM), apresentam uma programação especial durante todo o mês de março. As atividades envolvem a saúde e o bem estar e serão realizadas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS's), praças, entre outros pontos. Palestras, exames, caminhada e embelezamento estão entre as atividades.

Conforme a coordenadora da Coordenadoria da Mulher, Regina Zanetti, o evento é uma forma de reconhecer a luta das mulheres. "Trilhamos um árduo caminho pela busca por reconhecimento e igualdade. No decorrer dos anos, com muito esforço, passamos a ser ouvidas, respeitadas e conseguimos, dia a dia, diminuir os preconceitos, a violência, e aumentar nosso espaço na sociedade", acredita.

Em Bento Gonçalves, o Dia Municipal da Mulher foi instituído por meio da Lei Municipal nº 4.660. As atividades desenvolvidas em prol da causa integram o programa estruturante de governo Viver Bem, da administração pública municipal.

Assessoria de Comunicação Social da Prefeitura