5 de setembro de 2011

Campanha: Carinho de verdade

A violência sexual praticada contra a criança e o adolescente envolve vários fatores de risco e vulnerabilidade quando se considera as relações de geração, de gênero, de raça/etnia, de orientação sexual, de classe social e de condições econômicas. Nessa violação, são estabelecidas relações diversas de poder, nas quais pessoas e/ou redes satisfazem seus desejos e fantasias sexuais e/ou tiram vantagens financeiras e lucram usando, para tais fins, as crianças adolescentes. Nesse contexto, a criança ou adolescente não é considerada sujeito de direitos, mas um ser despossuído de humanidade e de proteção.  A violência sexual contra meninos e meninas ocorre tanto por meio do abuso sexual intrafamiliar ou interpessoal como na exploração sexual.   Crianças e adolescentes vítimas de violência sexual podem estar vulneráveis e tornarem-se mercadorias e assim serem utilizadas nas diversas formas de exploração sexual como: tráfico, pornografia, prostituição e exploração sexual no turismo. 
As violações dos direitos humanos sexuais de crianças e adolescentes não se restringem a uma relação entre vítima e autor. Essas violações ocorrem (e são provocadas) pela forma como a sociedade está organizada em cada localidade e globalmente. Podem ser destacadas, nesse aspecto, as atividades turísticas que não consideram os direitos de crianças e adolescentes, facilitando ações de exploração sexual. Nesse contexto, também estão os grandes empreendimentos que, quando não assumem a sua responsabilidade social, causam impactos nos contextos locais potencializando a gravidez na adolescência, o aumento de doenças sexualmente transmissíveis, o estímulo ao uso de drogas e a entrada e permanência de meninas e meninos nas redes de exploração sexual.
O enfrentamento à violação de direitos humanos sexuais de crianças e adolescentes pressupõe que a sexualidade é uma dimensão humana, desenvolvida e presente na condição cultural e histórica de homens e mulheres, que se expressa e é vivenciada diferentemente nas diversas fases da vida. Na primeira infância, a criança começa a fazer as descobertas sexuais e a notar, por exemplo, diferenças anatômicas entre os sexos. Mais à frente, com a ocorrência da puberdade, passa a vivenciar um momento especial da sexualidade, com emersão mais acentuada de desejos sexuais. Nessas fases iniciais do desenvolvimento da sexualidade (infância e adolescência), é fundamental a atenção, a orientação e a proteção a partir do adulto. Nenhuma tentativa de responsabilizar a criança e o adolescente pela violação dos seus direitos pode ser admitida pela sociedade.
Aos adultos, além da sua responsabilidade legal de proteger e defender crianças e adolescentes cabe-lhes o papel pedagógico da orientação, acolhida buscando superar mitos, tabus e preconceitos oferecendo segurança para que possam reconhecer-se como pessoa em desenvolvimento e envolverem-se coletivamente na defesa, garantia, e promoção dos seus direitos.
Queremos convocar todos – família, escola, sociedade civil, governos, instituições de atendimento, igrejas, universidades, mídia – para assumirem o compromisso no enfrentamento da violência sexual, promovendo e se responsabilizando para com o desenvolvimento da sexualidade de crianças e adolescentes de forma digna, saudável e protegida.




1 de setembro de 2011

II Mulheres, Chá e Arte


 Local: Clube Aliança
Data: 11 de setembro de 2011 (Domingo)
Horário: 16 horas
Valor: R$ 12,00

O evento tem o compromisso de proporcionar um momento de integração e lazer, e arrecadar fundos para o Fundo municipal do COMDIM, para a promoção de ações em prol do fim da violência contra as mulheres.
“Mulheres e Homens Transformando o Mundo”

25 de agosto de 2011

IV Seminário sobre a Lei Maria da Penha


A Coordenadoria da Mulher de Bento Gonçalves promoveu nesta quarta-feira, 24 de agosto, o IV Seminário sobre a Lei Maria da Penha, no auditório da Fundação Casa das Artes.


O evento teve a exibição do filme Te doy mis ojos (Te dou meus olhos, filme espanhol com direção de Icíar Bollaín) . Trata-se da história de uma mulher que sofre violência doméstica, e promove uma reflexão sobre os diferentes aspectos enfrentados por ela e também por sua família.


A mesa de discussão teve a presença do Juiz da 2° Vara Criminal: Rudolf Carlos Reita, do Major Comandante da 3° BPAT: João Paulo Marinho e do Presidente da Subseção da OAB Bento Gonçalves: Felipe Possamai., representantes de entidades que compõe a Rede de Atenção a Mulher.


Os painelistas reafirmaram a importância da Lei Maria da Penha para o enfrentamento da violência de gênero, entendendo que a mesma, ao beneficiar as mulheres, está beneficiando toda a sociedade.



24 de agosto de 2011

Prêmio Democracia e Cidadania Plena das Mulheres!

Pela segunda vez no ano de 2011 o Centro REVIVI (Centro de Referência para Mulheres que Vivenciam Violência) é reconhecido por seu trabalho voltado para promoção da cidadania das mulheres.
O trabalho “Mulheres que vivenciam violência: uma análise a partir do atendimento no Centro REVIVI”, apresentado pela Psicóloga Sandra Giacomini, foi agraciado por uma menção honrosa do Conselho Federal de Psicologia em agosto deste ano. O material integrará uma publicação especial do Conselho Federal de Psicologia, alusiva a campanha “Psicologia , Profissão de muitas e diferentes Mulheres”.


Matéria no site clique aqui.

Resultado do Prêmio Democracia e Cidadania Plena das Mulheres!

A comissão julgadora do Prêmio Democracia e Cidadania Plena das Mulheres, composta por três integrantes designados pelo Plenário do Conselho Federal de Psicologia e coordenada pela conselheira vice-presidente do CFP, reuniu-se no dia 04 de agosto de 2011 e escolheu os vencedores entre os trabalhos inscritos no prêmio, segundo os critérios estabelecidos em edital.
Foram recebidas 42 inscrições, entre trabalhos individuais e em grupo. A comissão julgadora selecionou três para recebimento da premiação em dinheiro e seis trabalhos para recebimento de menções honrosas. Os vencedores serão informados por e-mail.

1º Lugar:
Título: “Gênero, Direitos Humanos e Cidadania: a Psicologia contribuindo para a ressignificação da experiência da deficiência em mulheres de camadas populares”
Autores: Marivete Gesser - CRP/SC 05091
Adriano Henrique Nuernberg - CRP/SC 03019

2º lugar:
Título: “As Oficinas Sociais e o Fortalecimento da Autonomia Feminina”
Autores: Paloma Abelin Saldanha Marinho CRP: 05-40706
Emmanuela Neves Gonsalves CRP: 05-37810
Luciana Francez Cariello CRP: 05-39865
Regina Cibele Serra dos Santos Jacinto CRP: 05-31644

3º lugar:
Título: “Mexendo no vespeiro”
Autores: Simone Francisca de Oliveira - CRP 23288/04
Menções Honrosas:

Mensão honrosa:
Título: “Sta. Teresa: o toque de nossas mãos”
Autores: Andréa Moreira Chagas - CRP 05-26919

Título: “Centro Cultural Cartola – Economia Feminina na Arte do Carnaval”
Autores: Edna de Assunção Melo Chernicharo – CRP 05-22189

Título: “Sofrimento feminino e ethos militar: experiências emancipatórias de mulheres em psicoterapia de grupo”
Autores: Thaís Seltzer Goldstein - CRP 06 -53422

Título: “Mulheres que vivenciam violência: uma análise a partir do atendimento no Centro da Mulher REVIVI”
Autores: Sandra Adelina Giacomini - CRP 07 – 04902

Título: “Mulher: Fortalecimento em busca de autonomia”
Autores: Kely Cristina Brocco de Oliveira – CRP 07/06418

Título: “Mulheres no Mundo: a construção do direito de viver sem violência”
Autores: Marilia Cortes Gouveia de Melo – CRP 05/ 4836
Maria Cristina D'Almeida Marques – CRP 05/ 22029

As premiações em dinheiro serão de R$ 6.000, R$ 5000 e R$ 4000, respectivamente para o primeiro, segundo e terceiro lugares. Todos os vencedores, e também os seis trabalhos que receberam menções honrosas, serão publicados pelo CFP.

Os trabalhos vencedores serão divulgados durante um debate on-line que se realizará no dia 23 de agosto

A comissão julgadora avaliou que prêmio foi importante por trazer a tona uma quantidade importante de experiências relevantes. Também foi positiva a quantidade de trabalhos recebidos, acima da media dos prêmios anteriores.

É com grande alegria que o CFP parabeniza às psicólogas premiadas e agradece pela participação de todas e todos os inscritos!

22 de agosto de 2011

I Conferência Regional de Políticas para as Mulheres

Na manhã desta sexta-feira, 19, no auditório da UCS-Carvi de Bento Gonçalves foi aberta oficialmente a I Conferência Regional de Políticas para as mulheres, reunindo mais de 180 pessoas dos municípios da região.O evento contou com a presença do prefeito de Bento Gonçalves, Roberto Lunelli, Secretária Estadual de Políticas Públicas para Mulheres, Marcia Santana, a Deputada Estadual Marisa Formolo, secretários municipais, representantes de associações e demais entidades. O evento é promovido pela Prefeitura de Bento Gonçalves, através da Coodenadoria da Mulher, Conselho Municipal dos Direitos da Mulher e Secretaria de Habitação e Assistência Social.



Os temas que serão abordados na Conferência será a análise da realidade dos municípios da regional social, econômica, política, cultural e os desafios para a construção da igualdade de gênero, visando o fortalecimento da autonomia econômica, social, cultural e política das mulheres, contribuindo para a erradicação da pobreza extrema e para o exercício pleno da cidadania das mulheres. Outro tema será a definição de prioridades para políticas públicas, tendo como base a avaliação, atualização e aprimoramento das ações e políticas propostas no II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, sua execução e impactos.


Conforme a primeira dama e coordenadora da Coordenadoria da Mulher, Irmaci Sinigaglia Lunelli, "é um momento muito importante para discutir e elaborar as propostas de políticas públicas que queremos, para que em dezembro sejam apresentadas em Brasília, em busca da igualdade de gênero e exercício pleno de cidadania pelas mulheres.


O prefeito de Bento Gonçalves, Roberto Lunelli, agradeceu a presença de todos os representantes dos municípios, pois juntos poderão debater e desenvolver grandes encaminhamentos efetivos e aplicáveis, tendo resultados de médios e longos prazos.

A Secretária Estadual de Políticas Públicas para Mulheres, Marcia Santana, também marcou sua presença no evento, destacando a participação das mulheres pela luta de seus direitos e novas políticas públicas. Na ocasião, apresentou um novo projeto "Cimento e Baton", que ficou acordado entre a Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres, a empresa Usina Fortaleza, o Centro da Mulher em Construção, Prefeitura Municipal de Bento Gonçalves e a Prefeitura Municipal de Canela.


O projeto "Cimento e Baton" foi desenvolvido através do diagnóstico realizado pelo Mercado de Construção Civil que apontou a ausência de mão de obra qualificada para atender a demanda gaúcha, em especial na execução das obras do PAC. O curso compreende noções básicas de aplicação de argamassa e rejunte, tendo duas mil vagas para mulheres trabalhadoras e interessadas em ingressar no ramo da construção civil.


Dando início aos trabalhos, a palestrante Geni Dalla Rosa falou sobre a "Autonomia e igualdade no mundo do trabalho e erradicação da pobreza", e a palestrante Marisa Formolo falou sobre o tema "Mulheres nos espaços de poder".

Participam da I Conferência Regional de Políticas para as Mulheres os municípios de Bento Gonçalves, André da Rocha, Barão, Montauri, Monte Belo do Sul, Nova Prata, Santa Tereza, Serafina Correa, União da Serra e Veranópolis, sob a coordenação conjunta das Coordenadorias da Mulher e Conselhos Municipais dos Direitos da Mulher dos municípios abrangidos.

PROGRAMAÇÃO - TARDE

13h30min: Trabalhos em grupos nos eixos temáticos
Eixo 1: Autonomia e igualdade no mundo do trabalho e erradicação da pobreza
Eixo 2: Educação inclusiva e não sexista
Eixo 3: Saúde das mulheres, direios sexuais e direitos reprodutivos
Eixo 4: Mulheres no espaço de poder
Eixo 5: Enfrentamento à violência contra as mulheres
15h30min: Plenária Final (indicação de delegadas)
17h: Encerramento

Fonte: Assessoria de Comunicação Social Prefeitura Municipal de Bento Gonçalves

15 de agosto de 2011

Lei Maria da Penha é tema de reportagem do quadro JA Comunidade do Jornal do Almoço

A Lei Maria da Penha, que comemorou 5 anos de publicação no último domingo, foi o tema de reportagem de Manoel Soares e da repórter Letícia Alves, do Jornal do Almoço. A matéria, exibida no quadro JA Comunidade, tratou da violência contra a mulher, entrevistando a população porto-alegrense e mulheres dedicadas aos estudos de gênero, como a especialista de gênero Marlize Fernandez, a jurista Maria Berenice Dias e a secretária estadual de Políticas para as Mulheres, Márcia Santana.





9 de agosto de 2011

Entidades recebem as lobas para personalização

O Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (COMDIM) que tem por objetivo formular diretrizes, promover políticas e propor medidas funcionais que objetivem eliminar qualquer forma de discriminação e desigualdade entre os gêneros, vem desenvolvendo, juntamente com empresas, entidades e pessoas físicas parceiras, o Projeto Loba. Trata-se de uma ação de divulgação do COMDIM e captação de recursos para o Fundo Municipal dos Direitos da Mulher (FUMDIM).

Loba em fibra de vidro que será personalizada pelas entidades. (Fotos:Divulgação/COMDIM)
Na última semana, 20 parceiros, entre entidades e pessoas físicas receberam as lobas em fibras de vidro, tendo o compromisso de fazer de cada Loba uma obra de arte. Os parceiros são as empresas Multimóveis, Politorno, Hotel Vinocap, Tecnovin, Foto Pavan, Mercados Grepar, Carlize, Vinícola Salton, Porta Azul, Giacomini Advogados Associados, Rotary Clube Mulheres da Serra, Lions Clube Femina Bento Gonçalves, Centro de Ciências Humanas e Educação / CARVI, CDL, Sitracom, Clube Esportivo, Ancila Zat, Quinta dos Amigos, Neivete Possamai e Revista Noi.

Conselheiros(as) do COMDIM.
 No dia 27 de setembro acontecerá a cerimônia de entrega das peças personalizadas, que serão expostas inicialmente na Casa das Artes, e posteriormente nas empresas parceiras. Os parceiros se comprometeram a doar a obra para que se possa realizar um leilão no dia 29 de novembro, cuja renda será depositada no Fundo Municipal dos Direitos das Mulheres (FUMDIM). Estes recursos poderão ser aplicados em projetos voltados para a construção da igualdade entre homens e mulheres, bem como, auxílio econômico/social às mulheres que vivenciam violência.
Conforme salienta o COMDIM, o projeto destaca a liberdade que cada mulher tem de fazer suas escolhas, e a coragem de enfrentar seus medos e defender seus direitos e desejos com “unhas e dentes “. Como diz a autora Clarice Lispector: “ Eu sou mansa, mas minha função de viver é feroz”. Para Denise da Ré, lobas correm ao lado dos lobos, perseguindo seus sonhos. “Lobas não convivem com Lobos. Não coiotes, cachorros e chacais“.
"Esperamos que a comunidade de Bento Gonçalves, homens e mulheres, nos acompanhem neste exercício de liberdade, não aceitando a dominação de uns sobre outros, permitindo a si e ao outro a fazer da vida uma obra de arte", afirma Sandra Giacomini, Presidente do COMDIM.

Assessoria de Comunicação Social Prefeitura

27 de julho de 2011

"Mulheres invisíveis"


Vídeo documentário produzido pela Sempreviva Organização Feminista (SOF), com apoio da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) abordando o tema das mulheres e o mercado de trabalho.

25 de julho de 2011

De Lobas

“Mulheres que Correm como Lobos”, da Clarissa Pinkola Estes, me foi presenteado por Renée, num dos raros encontros que tivemos, por alguma razão que não lembro. Talvez nem houvesse motivo para isso. Talvez só faça sentido agora, após sua silenciosa partida. Ainda vou descobrir.

Diz a autora do livro que “lobas e mulheres saudáveis têm certas características psíquicas em comum: percepção aguçada, espírito brincalhão e uma elevada capacidade para a devoção”. “São gregárias por natureza, curiosas, dotadas de grande resistência e força”. Produtivamente intuitivas, determinadas, corajosas e amorosas. E, tendo a alma selvagem, “respeitam seus ciclos de vida, o seu lado mais primitivo, a sua espiritualidade”. Também são capazes de enfrentar seus próprios medos e sobreviver às suas próprias fantasias infantis acerca dos relacionamentos e da maternidade. Mas alerta: “as raízes femininas mais interiores – a intuição e a criatividade – estão sendo trocadas por moedas de menor valor”.

Como contraponto, transcrevo a declaração de Shakira: “La Loba, is La mujer de nuestro tempo... La mujer que sabe que quiere y ES libre de prejuicios y nociones preconcebidas... que defientes como um animal selvaje”.

É evidente que a mulher deixou de ser a Chapeuzinho Vermelho. Já não foge do lobo mau. E nem mesmo a vovó é a mesma. Ao invés de ficar esperando por bolinhos de chuva na cama, vai à luta, chova ou faça sol. A mulher do século XXI tem consciência de que faz parte da matilha e se arvora para ampliar seu território.

Mas nem por isso nossas ancestrais são menos lobas. Os caminhos que hoje percorremos já foram trilhas íngremes, abertas por elas a facão. E, embora atreladas ao universo masculino, marcam seu espaço parindo e cuidando dos seus filhotes por anos a fio, até o relógio biológico anunciar o fim da vida fértil. E resistiram bravamente ao trabalho a que eram submetidas, sem pôr em risco a alma feminina, selvagem na essência.

Lobas estão em todo lugar: nas escolas, nas fabricas, nos elevadores, nos escritórios, nas estradas, em casa, nas igrejas, nas quadras, nos campos, no chão, no as, no mar... e, mais recentemente, em altos patamares da política. Estão ai a presidente Dilma, suas ministras sociais e sua chefe de gabinete que, por sinal, acabou de substituir um homem. Estão ai Tarja Halonen, da Finlândia; Mary McAleese, da Irlanda; Cristina Kichner, da argentina; Pratibha Patil, da Índia; Dália Grybauskaite, da Lituânia; Dóris Leutheard, da Suíça; Ellen Johnson Sirleaf, da Libéria; Laura Chinchilla, da Costa Rica; Ângela Merkel, da Alemanha; Cheija Hasina Wajed, de Bangladesh; Johanna Sigurdardottir, da Islândia; Jadranka Kosor, da Croácia; Yulia Timoshenko, da Ucrânia.

Lobas não buscam o enfrentamento. Elas correm ao lado dos lobos, perseguindo seus sonhos, embaladas mais pelos sentimentos do que pela razão. Lobas convivem com lobos. Não com coiotes, cachorros e chacais.

Escrito por: Denise da Ré
Publicado: Jornal Semanário

18 de julho de 2011

Marcha das P...

Maria Berenice Dias*


Bem assim: a letra "p” e reticências.

Esta era a forma utilizada por todos os meios de comunicação para identificar as mulheres que, simplesmente, assumiam o livre exercício de sua sexualidade. Seja profissionalmente, mediante remuneração; seja pelo só fato de se vestirem de uma forma considerada inadequada, deixando exposta alguma parte do corpo que poderia revelar que se tratava de um corpo feminino.

Inclusive houve época que eram assim rotuladas as mulheres que saiam do casamento por vontade própria. Nem importava a causa. Separadas e desquitadas eram consideradas “p...”. Mulheres disponíveis que qualquer homem tinha o direito de “usar”.

Claro que muitas coisas mudaram. E não há como deixar de prestar tributo ao movimento feminista que, em um primeiro momento, gerou tamanha reação que convenceu até as mulheres que não poderiam ser ativistas, o que as identificaria como mulheres indesejadas. Talvez pelo absurdo de reivindicarem as mesmas prerrogativas dos homens.

É significativo constatar que ao feminismo não se atribuía adjetivações ligadas à prática sexual. Ou seja, as feministas

eram mulheres feias, mal-amadas, lésbicas, mas não eram chamadas de “p...”. Eram mulheres que homem nenhum quis. Por isso saiam às ruas em busca de igualdade.

De qualquer modo, um movimento tão significativo que mudou a feição do mundo, a ponto de se dizer que o século 20 foi o século das mulheres.

Apesar dos avanços em termos de igualdade de oportunidades no mundo público, na esfera privada ainda é longo o caminho a percorrer. Basta atentar à violência doméstica cujos assustadores números só recentemente vem sendo revelados graças à Lei Maria da Penha.

Mas há outra violência que somente agora está levantando o véu da impunidade: a violência sexual. Como a virilidade é reconhecida como o maior atributo do homem, o livre exercício da sexualidade, sempre foi um direito ao qual as mulheres precisam se submeter. Inclusive ainda se fala em débito conjugal e tem gente que acredita que o casamento se “consuma” na noite de núpcias, e busca anulá-lo sob o absurdo fundamento de que o casamento não ocorreu.

O controle da natalidade é outro exemplo da absoluta irresponsabilidade masculina. Até hoje se atribui à mulher o encargo de prevenir a gravidez. É sua a culpa pela gestação indesejada. É ela que precisa fazer uso dos meios contraceptivos, em face da enorme a resistência dos homens ao uso de preservativos.

Ou seja, as mulheres sempre tiveram que se submeter ao “instinto sexual” masculino. Algo que parece dominar a vontade do homem que se torna um ser irracional, que não poder ser responsabilizados pelos seus atos. As mulheres são culpadas por excitarem os homens, que viram bestas humanas e não merecem responder por seus atos. Por isso, nos delitos sexuais, o comportamento da vítima é invocado como excludente da criminalidade.

Até que enfim as mulheres estão se dando conta de que submissão e castidade não lhes servem mais de qualificativos. Não são atributos que lhes agrega valor. Têm o direito de agirem, se vestirem e se exporem do jeito que desejarem. Não podem ser chamadas de putas, vadias, vagabundas, adjetivos que só servem para inocentar os homens que as estupram.

Vislumbra-se um novo um novo momento, em que as mulheres passam a ter orgulho de sua condição de seres sexuados. A Marcha das Vagabundas, que está acontecendo no mundo todo, é uma bela prova. Reação à afirmativa de um policial, em uma universidade de Toronto, Canadá: as mulheres devem evitar se vestirem como “slut” para não se tornarem vítimas. A expressão que pode se traduzido por vadia, vagabunda ou puta.

Depois que nos tornarmos sujeitas de nossos direitos, é chegada a hora de assumirmos a condição de senhoras de nossos desejos.


* Maria Berenice Dias é advogada do Rio Grande do Sul especializada em Direito Homoafetivo, Direito das Famílias e Sucessões.

1 de julho de 2011

Projeto Loba


Apoiada na representação da coragem, astúcia e determinação da Loba Romana, desenvolvemos o Projeto LOBA do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, escolhendo a LOBA como nosso símbolo da luta pelo fim da violência contra a mulher, o símbolo dos direitos humanos das mulheres.

Queremos com este projeto destacar a liberdade que cada mulher tem de fazer suas escolhas, e a coragem de enfrentar seus medos e defender seus direitos e desejos com “ unhas e dentes “ Como nos diz : Clarice Lispector: “ Eu sou mansa, mas minha função de viver é feroz”. Para Denise da Ré, lobas correm ao lado dos lobos, perseguindo seus sonhos. “Lobas não convivem com Lobos. Não coiotes, cachorros e chacais“.

Esperamos que a comunidade de Bento Gonçalves, homens e mulheres, nos acompanhem neste exercício de liberdade, não aceitando a dominação de uns sobre outros, permitindo a si e ao outro/a fazer da vida uma obra de arte.

Vinte lobas em fibra de vidro foram disponibilizadas pelo Conselho, pelo preço de custo, para que pessoas físicas e jurídicas realizem um trabalho de arte e personalização, fazendo de cada Loba uma obra de Arte.

Os parceiros se comprometeram a doar a obra para que se possa realizar um leilão ainda no final deste ano, cuja renda será depositada no FUMDIM (Fundo Municipal dos Direitos das Mulheres). Estes recursos poderão ser aplicados em projetos voltados para a construção da igualdade entre homens e mulheres, bem como, auxílio econômico/social as mulheres que vivenciam violência.




22 de junho de 2011

Projeto Fundo Municipal dos Direitos da Mulher


O COMDIM (Conselho Municipal dos Direitos da Mulher) que tem por objetivo formular diretrizes, promover políticas e propor medidas funcionais que objetivem eliminar qualquer forma de discriminação e desigualdade entre os gêneros, assegurando a mulher o exercício pleno de sua cidadania, convida pessoas físicas e jurídicas, entidades, grupos organizados, artistas,... para participarem da ação de divulgação do Conselho e captação de recursos para o FUMDIM ( Fundo Municipal dos Direitos da Mulher).

O Fundo Municipal dos Direitos da Mulher foi criado em novembro de 2007 pela Lei Municipal 4.221, e tem por finalidade captar recursos e prestar apoio financeiro para projetos, planos, programas, com o objetivo de promover a construção de uma sociedade que se baseia na igualdade entre os gêneros, onde sejam garantidos os direitos das mulheres.


O Projeto

O Projeto COMDIM/LOBA pretende ao envolver arte, história e defesa dos direitos da mulher, divulgar o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher( COMDIM) e captar recursos para o Fundo Municipal dos Direitos da Mulher( FUMDIM). Vinte (20) lobas em fibra de vidro serão disponibilizadas pelo Conselho pelo preço de custo , para que pessoas físicas ou jurídicas realizem um trabalho de arte e personalização.

Na parceira firmada entre parceiros/as e o COMDIM, a loba personalizada será doada para fins de leilão, cujos valores serão depositados no FUMDIM, que poderão ser aplicados no desenvolvimento de projetos ligados a construção da igualdade entre homens e mulheres, além de auxílio econômico/social as mulheres que vivenciam violência.

No centenário da imigração italiana, 1975, o município de Bento Gonçalves foi presenteado pelo governo italiano com a réplica da Loba Romana, símbolo da fundação de Roma. Conforme a mitologia, os gêmeos Rômulo e Remo foram abandonados em um cesto nas águas do Rio Tibre e foram salvos por uma loba, que os amamentou e os viu crescer.

A Loba Romana nos remete a simbologia de proteção e ternura, e ao mesmo tempo coragem, astúcia e determinação, o que, por sua vez, nos remete a representação do feminino que queremos destacar com este projeto: um feminino que é livre para fazer escolhas de vida. “A alma selvagem nunca é domesticada. Quem é livre só se submete quando quer” ( Denise da Ré)

A Loba deste projeto pretende ser o símbolo da luta pela violência contra a mulher, símbolo dos direitos das mulheres. Como nos diz Clarice Lispector: “Eu sou mansa, mas minha função de viver é feroz.”


O presente projeto procura associar História, Arte e Mulheres, utilizando a imagem de uma Loba.